sexta-feira, 25 de abril de 2008

Pensamentos

É estranho pensar que o ser humano é complexo, mas não só pelo fato da complexidade, também pelo fato de pensar. Às vezes é cansativo se manter absorto em pensamentos, e mesmo que você não queira, acaba pensando no fato de não pensar e mais uma vez pensa.
Eu sou um ser frágil, com poucas limitações e muitos pensamentos. Talvez esse também seja um problema, pensar e pensar e pensar e pensar e pensar e pensar... E pensar.
Tempos atrás minha mãe me disse que seria melhor eu começar a agir por impulso, que isso poderia diminuir minhas manias, mas só de pensar em agir por impulso penso que eu não vou ser cordato e fiel a uma parte de minha personalidade estranha e calculista e acabo ficando mais confuso, por pensar.
Chegamos a um ponto que nos perguntamos quem somos, de onde viemos e o que devemos fazer. Simplesmente não quero saber, não quero entender, não quero fazer e principalmente não quero pensar, não quero.
Não quero amor, não quero dor e a felicidade não passa de um contraposto. Eu gostaria de entrar em estado vegetativo, pra não falar, não pensar, não sentir, enfim, não viver. O que me falta é coragem, ou apenas um grau relativo de profunda depressão. Já cheguei perto, mas não foi o suficiente, PENSO.
Inúmeras madrugadas acordado, tendo como companhia meus cigarros, Damien Rice, o papel, a caneta e os meus tormentos. Talvez eu seja um pouco sadomasoquista, talvez eu goste de sofrer, mas eu já estou praticamente com 19 anos e tudo que eu quero é paz. Gostaria de receber como presente inúmeras caixas contendo fórmulas para a felicidade, fútil ela, mas seria melhor que a dor, PENSO. 19 anos de tortura, de conflito, de pensamentos.
Eu não sou um ser que mereça ser imortalizado, longe disso (e BEM longe), eu só queria ser normal. Trocaria minha inteligência pela normalidade. Dentre várias teorias que eu tenho, uma delas é sobre pessoas inteligentes. Basicamente pessoas inteligentes tendem a desenvolver problemas psicológicos com mais facilidade do que os demais. Podem até achar que eu estou me gabando, mas eu sou inteligente sim, minha mente é extraordinária, e eu sei que sou capaz de demonstrar, sei sim. Muitos já disseram que eu sou burro pelo fato de não aproveitar o “dom” que eu tenho, mas o que eles não sabem é o que esse dom trás consigo, eles definitivamente não sabem. Outros também, por outro lado, preferem dizer que isso tudo é uma patética tentativa de chamar atenção. Por natureza, eu já sou um atrativo, assim por dizer, e se um dia eu quis sim chamar atenção talvez tenha sido pra demonstrar que eu não consigo me curar e que preciso de ajuda, “Oi, não estou bem, me abraça”.
Uma das minhas limitações é não conseguir me expressar abertamente de uma forma que não seja escrevendo (com exceção de quando eu estou bêbado). Eu não consigo sentar e me abrir com outra pessoa, eu não quero que sintam pena e tampouco ousem se preocupar por demais, ninguém tem esse direito a não ser que eu conceda. Talvez seja anti-socialismo, individualismo ou apenas falta de expressão, o que eu realmente sei é que eu não consigo, definitivamente.
Outra limitação é o amor, e essa é a que menos me preocupa (só vou falar sobre isso pra encher lingüiça, já que estou sem sono).
Pra que confiar seu coração em uma única pessoa e torná-la algo extremamente admirável? Já tive experiências, quanto a isso, pra lá de confusas, cheia de conflitos, tristezas, e que resultaram em traições, lágrimas, cortes, manias e falta de amor-próprio. Acho isso tudo completamente desnecessário e fútil. Respeito as relações alheias e até acho bonito a coragem daqueles que conseguem amar sem pensar nas conseqüências, mas pra mim, mais uma vez, é demais.
Hoje me sinto bem, e arrisco dizer que um pouco normal. Desabafar é sempre bom. Só não sei quanto tempo isso vai durar. Vou evitar pensar nisso, acho que umas boas horas de sono vão resolver.

“You got your guns and war machines
You’re like a knife, you cut things clean
But there’s a beat in all machines…”

Maybe “we have just o carry on…”

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